
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) denunciou nesta segunda-feira (26) o piloto Elves de Bem Crescêncio pela morte de oito pessoas e por lesão corporal culposa contra outros três passageiros na queda de um balão em Praia Grande, no Sul do estado. A tragédia ocorreu em junho de 2025 e o caso havia sido concluído pela Polícia Civil sem indiciamentos, mas a promotoria de Santa Rosa do Sul não aceitou o arquivamento e reabriu as apurações com novas perícias técnicas.
A acusação apresentada pelo promotor Ricardo Figueiredo Coelho Leal se baseou no laudo pericial finalizado em setembro de 2026 e no depoimento de mais de 20 pessoas. A investigação apontou que o piloto agiu com imprudência e negligência ao levar a bordo um maçarico que não possuía trava de segurança e que era diferente do modelo indicado pelo fabricante da aeronave. Além de descumprir o checklist de segurança, o piloto não percebeu que a válvula do equipamento estava aberta antes da decolagem. Durante o voo, o maçarico caiu de uma mala, acionou a faísca e iniciou o fogo em um cilindro de gás propano.
Diante do início do incêndio, o piloto não fechou as válvulas de combustível e demorou para iniciar o pouso de emergência. Ao tocar o chão pela primeira vez, ele pulou do cesto em chamas e soltou a corda que controlava a saída de ar quente no topo do balão. Sem o peso do piloto e sem o controle da abertura, a aeronave subiu novamente de forma desgovernada com oito pessoas presas a bordo. Quatro ocupantes saltaram em desespero e morreram na queda, enquanto os outros quatro morreram carbonizados. Doze pessoas sobreviveram ao primeiro impacto no solo.
O MPSC também identificou que os passageiros foram enganados sobre a natureza do serviço. A viagem era vendida como um passeio turístico comum, mas registrada como "voo de instrução" para contornar normas da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). O promotor negou a possibilidade de qualquer acordo penal devido à extrema gravidade do ocorrido e pediu que a Justiça condene o piloto ao pagamento de indenização por danos morais aos 12 sobreviventes e às famílias das oito vítimas fatais.
Foto: redes sociais
Redação Cultura FM | Julian Vilvert




