
A Polícia Civil de Santa Catarina deflagrou na manhã desta terça-feira (06) a Operação “Passe de Mágica”, que investiga suspeitas de crimes contra a Administração Pública no município de Rio dos Cedros. A ação é coordenada pela Diretoria Estadual de Investigação Criminal (DEIC), por meio da 4ª Delegacia Especializada em Combate à Corrupção (4ª DECOR), de Blumenau.
Ao todo, estão sendo cumpridos 37 mandados de busca e apreensão nos municípios de Rio dos Cedros, Timbó e Blumenau. Entre os locais alvo das buscas está a Prefeitura de Rio dos Cedros. As ordens judiciais foram expedidas pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina, responsável pela supervisão do inquérito.
A investigação teve início em 2025 e se estendeu por aproximadamente 15 meses. De acordo com a Polícia Civil, o trabalho apura, em tese, três principais frentes de possíveis irregularidades.
Compra de imóveis e valorização decorrente de ações públicas
Uma das linhas investigadas envolve a possível aquisição de imóveis por meio de terceiros. A suspeita é de que pessoas relacionadas aos investigados tenham adquirido propriedades que, posteriormente, poderiam ter sido valorizadas em razão de obras, investimentos ou outras ações realizadas pelo próprio poder público municipal.
A investigação busca esclarecer se houve eventual conhecimento ou influência indevida sobre decisões públicas capazes de provocar a valorização desses imóveis e, consequentemente, gerar vantagem financeira aos envolvidos.
Suspeita de direcionamento de licitações
Outra frente da investigação envolve contratos e licitações para execução de obras públicas.
Segundo a Polícia Civil, há suspeitas de que processos licitatórios possam ter sido direcionados para beneficiar determinadas empresas ligadas aos investigados.
A investigação deverá analisar editais, contratos, documentos, comunicações e demais materiais apreendidos para verificar se houve favorecimento indevido, combinação ou outras formas de interferência nas disputas e contratações realizadas pelo município.
Suspeita de ocultação de valores
A terceira frente envolve uma possível ocultação de recursos. Conforme a Polícia Civil, a investigação apura o uso de dinheiro em espécie e de empresas para movimentar valores e dificultar a identificação de sua origem.
Essa linha está relacionada à suspeita de lavagem de dinheiro, crime que envolve, em determinadas circunstâncias, a tentativa de ocultar ou dissimular a origem de recursos provenientes de atividades ilícitas.
A operação busca justamente reunir documentos e outros elementos que possam esclarecer a origem, a movimentação e o destino dos valores investigados.
Prefeito e servidores são afastados
Além dos mandados de busca e apreensão, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina autorizou medidas cautelares contra os investigados.
Entre elas está o afastamento das funções do prefeito, do vice-prefeito, da secretária de Planejamento, Habitação e Meio Ambiente e de um servidor público, todos de Rio dos Cedros.
Também foi determinada a suspensão de contratos e pagamentos envolvendo empresas investigadas, além da proibição de contato entre determinados investigados.
A Justiça ainda determinou o sequestro de 26 imóveis e o bloqueio de bens e valores dos envolvidos até o limite aproximado de R$ 34,6 milhões.
O bloqueio e o sequestro de patrimônio são medidas cautelares e não significam, por si só, que os valores ou imóveis tenham sido definitivamente reconhecidos como produto de crime. O objetivo é preservar o patrimônio enquanto a investigação avança.
120 policiais participam da operação
A operação mobiliza aproximadamente 120 policiais civis de diferentes unidades do Estado, com apoio da Polícia Científica.
Os materiais apreendidos durante as buscas serão submetidos à análise. Segundo a Polícia Civil, os documentos, equipamentos e demais elementos encontrados poderão subsidiar novas diligências e ajudar a esclarecer as suspeitas investigadas.
A Operação “Passe de Mágica” ainda está em fase de investigação. Portanto, os envolvidos são considerados investigados, e as suspeitas apontadas pela Polícia Civil ainda deverão ser confirmadas ou afastadas ao longo do procedimento.
Novas informações sobre a operação poderão ser divulgadas pelas autoridades conforme o avanço das investigações.




