
Inquérito foi concluído pela Polícia Civil e encaminhado ao Ministério Público; Almir Vieira ficou afastado da Câmara por 180 dias e retornou ao cargo em agosto.
A investigação sobre suspeitas de corrupção, rachadinha e lavagem de dinheiro envolvendo o vereador Almir Vieira (PP), de Blumenau, avançou para uma nova etapa. A Polícia Civil concluiu o inquérito e encaminhou o material ao Ministério Público e ao Poder Judiciário para análise.
De acordo com o delegado Marafiga Costa, parte dos investigados foi indiciada. No entanto, a Polícia Civil não divulgou os nomes dos indiciados nem os crimes atribuídos individualmente a cada um. Segundo o delegado, os envolvidos não foram indiciados necessariamente pelos mesmos delitos, já que diferentes fatos foram apurados no mesmo inquérito.
Agora, cabe ao Ministério Público analisar as provas reunidas e decidir se apresenta denúncia à Justiça ou se solicita novas diligências para aprofundar a investigação.
Vereador foi afastado por 180 dias
Almir Vieira foi um dos alvos de uma operação da Polícia Civil realizada em 3 de fevereiro de 2026. Na ocasião, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, inclusive no gabinete do parlamentar, na Câmara de Vereadores de Blumenau. Ele chegou a ser preso em flagrante, mas foi liberado horas depois.
A investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e rachadinha, prática que consiste na possível devolução de parte dos salários de assessores a um agente político.
Por decisão judicial, o vereador ficou afastado das atividades parlamentares por 180 dias e retornou ao plenário em 18 de agosto. Durante o período de afastamento, ele continuou recebendo salário.
Ao reassumir o cargo, Almir criticou as manchetes relacionadas ao caso e afirmou que se manifestaria sobre a investigação “na hora certa”. Na tribuna, também defendeu sua integridade e seu caráter.
Processo de cassação continua suspenso
Além da investigação criminal, o vereador responde a um processo político-administrativo que pode resultar na cassação do mandato. A abertura do procedimento foi aprovada por dez votos favoráveis na Câmara de Blumenau, em 24 de fevereiro de 2026.
O andamento do processo, porém, foi suspenso por decisão judicial, após a defesa questionar a legitimidade da representação que deu origem à apuração. Os advogados argumentaram que a denúncia foi apresentada por uma pessoa física, e não por um partido com representação na Câmara ou por outro vereador.
O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) acolheu preliminarmente o argumento e suspendeu os trabalhos da comissão responsável pelo caso. A defesa também sustenta que a denúncia tem motivação política.
Com a conclusão do inquérito policial, a continuidade da investigação criminal depende agora da análise do Ministério Público. O indiciamento não significa condenação, e os investigados têm direito à presunção de inocência até eventual condenação definitiva.
Redação Cultyura FM | Deive Leoni
Foto: Câmara de Vereadores, Divulgação




