
O ex-secretário municipal de Blumenau André Espezim e o empresário Leonardo de Souza foram presos preventivamente na manhã desta quarta-feira (7) durante a segunda fase da Operação Sentinela, conduzida pelo Gaeco. A nova etapa da apuração mira crimes de lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio, falsidade ideológica, falso testemunho e obstrução da justiça, além de cumprir nove mandados de busca e apreensão em Blumenau e Florianópolis.
De acordo com o Ministério Público, a prisão dos dois ocorreu após a descoberta de documentos com datas incompatíveis apresentados para justificar repasses ilícitos. O empresário, proprietário de uma produtora de audiovisual, teria declarado à polícia a compra de um loft pertencente a Espezim na Alameda Rio Branco, área nobre de Blumenau. Os contratos, no entanto, apontavam que o ex-secretário teria revendido o bem um ano antes mesmo de tê-lo adquirido junto à construtora, o que levou a perícia a constatar a simulação de negócio para maquiar propinas.

Momento da prisão de Espezim / Foto: Patrick Rodrigues (NSCTotal)
Com o dinheiro da transação, estimado em R$ 270 mil, Espezim quitou um apartamento na Praia de Cabeçudas, em Itajaí, avaliado em mais de R$ 1 milhão, que agora teve o bloqueio solicitado pela promotoria junto com o loft. Os investigadores descobriram também que uma empresa financeira consultada em sigilo violou ordens de confidencialidade e alertou o ex-servidor sobre a apuração das contas bancárias, motivando mandados de busca na residência de gestores e sedes de empresas ligadas ao grupo.
A Operação Sentinela apura irregularidades cometidas entre 2021 e 2024 em licitações e contratos de limpeza urbana, serviços especializados e de vigilância armada para escolas e creches municipais, implementada de forma emergencial dias após o ataque à creche Cantinho Bom Pastor, em abril de 2023. Segundo o Gaeco, o esquema envolvia direcionamento de concorrências, vazamento de propostas para favorecer empresas parceiras e repasses milionários disfarçados por meio de intermediários e postos de combustíveis.
Foto: divulgação MPSC
Redação Cultura FM | Julian Vilvert




